Entre sorrisos e traduções.

Não sei se já te disse alguma vez, mas sou apaixonada por sorrisos. Quando conheço alguém, sempre reparo se o seu sorriso consegue me contar suas histórias, me dar a liberdade de traduzir os pensamentos de seu dono. E eu sempre fui muito boa nesse negócio de tradução, de entender uma pessoa e conseguir decifrá-la antes mesmo que ela dissesse uma palavra.

Mas daí eu te conheci, e no seu primeiro sorriso eu fiquei tão desnorteada que não consegui nem me lembrar de tentar entender qual era a sua. No seu segundo sorriso, eu percebi que não conseguiria enxergar suas intenções tão facilmente e no seu terceiro eu já havia perdido o chão.

O que esse teu sorriso de canto de boca não me contou, consegui decifrar parte quando teus olhos encontraram os meus, outra parte quando tua mão encostou na minha e a segurou por debaixo da mesa como se já nos conhecêssemos há anos. As partes faltantes (e ainda acredito que faltam algumas que ainda não encontrei), você me mostrou com o passar dos dias, nas vezes que me acalmou da minha TPM, das madrugadas que passamos conversando sobre nossas histórias mal resolvidas, nas risadas acompanhadas de uma cerveja no bar, dos beijos avassaladores que não nos permitiam trocar, pelo menos por um instante, nenhuma palavra.

Daí, então, aprendi que nem sempre é bom conseguir entender totalmente alguém de antemão sem precisar, sequer, ouvir sobre o que ela pensa da vida, por já estar tudo estampado ali, na minha frente. E perto desse teu sorriso – e de todas as outras partes – outras pessoas ficam fáceis de serem decifradas, desinteressantes à minha curiosidade eminente, tão teimosa, e já viciada em seus mistérios, mesmo que você se ache a pessoa mais fácil de se ler no mundo.

Pessoas comuns acabam caindo no nosso desinteresse. E isso não quer dizer que todo mundo tenha que sair por aí fingindo ser misterioso ou não configurando seus pensamentos de acordo com suas atitudes. O que pode me parecer desinteressante, acaba sendo encantador para outro alguém. Talvez por isso eu não tenha encontrado até hoje outro sorriso que me desafiasse tanto. No fundo, eu não estava procurando apenas facilidade, estava procurando completude.

E nessa completude, descobri em meio as peças já encontradas, e tantas outras ainda escondidas, que parte do seu mistério está quando o meu sorriso é consequência do seu. E isso está nos seus e nos meus olhos, está aqui entre nós, e não precisa realmente ser traduzida por já fazer todo sentido do mundo (pelo menos, no nosso mundo).

Um comentário sobre “Entre sorrisos e traduções.

  1. Juli, é uma pena que tenha ficado com essa impressão sobre mim. Eu graças a Deus sou muito tranquila e tento sempre tratar todo mundo bem. Aliás, a maioria dos meus tem textos são baseados em sentimentos e situações que ja passei ou que estou passando. Não quero que fique com essa impressão sobre mim, pq realmente tenho certeza que nunca tive intenção de não ser educada ou ser grosseira com você. Se vc quiser podemos conversar no inbox do facebook, me procure lá: Caroline Sassatelli. Beijos!

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