Muito além do “felizes para sempre”

Eu não acredito naquele negócio de felizes para sempre, porque sei que no fundo, isso tudo é conversa para que a gente fique sempre esperando por algo, pela perfeição, pelos dias que tudo se encaixará 100% no lugar que a gente considera mais adequado. Mas sabe de uma coisa? Às vezes a vida nos surpreende com novas maneiras de sermos felizes – mesmo que não todos os dias.

Somos cheios de defeitos, somos cheios de manias que trazemos lá do berço e querendo a todo custo empurrar para outra pessoa, que, por sua vez, traz na sua bagagem tudo aquilo que ela considera mais viável. E esse negócio de acharmos relacionamentos difíceis nada mais é do que a nossa incapacidade de conseguir aceitar que nem sempre estamos certos, que nem sempre estamos com a razão. E essa é o tapa na cara que levamos todos os dias quando encaramos a missão de conviver com outra pessoa. E recebê-lo não é realmente a coisa mais fácil do mundo, pelo menos não para quem estava esperando que a velha história de felicidade integral fosse verdadeira. E o por quê disso? A gente espera demais de coisas que já nos fazem bem e nos negamos a enxergar que estamos completos. É a boa e velha mania de “encontrar pelo em ovo”.

Vamos aceitar que as felicidades são diárias e nem sempre elas vão acontecer. Vamos aceitar que, às vezes, é preciso ouvir antes de falar e tentar não sair sempre de uma discussão com o “troféu” de vencedor. Vamos aceitar que podemos ser completos e felizes com o que temos e não precisamos sempre procurar por dias perfeitos e pessoas perfeitas, até porque, eu duvido muito que alguém que esteja lendo isso esteja o mais próximo possível da perfeição.

Eu não acredito realmente naquele negócio de felizes para sempre. Não acredito que vou acordar todos os dias querendo conversar com o vizinho, que não vou querer ficar na companhia apenas de um livro e de uma xícara de café na mesinha do abajour, não acredito que não vou implicar com o seu sapato em cima do tapete branco da sala e nem acredito que não ficarei de cara feia quando você não quiser me acompanhar naquela festa dos meus amigos que você não conhece direito.

Mas eu acredito – e prometo sempre acreditar – que serei eu mesma todos os dias, que vou esperar pela sua risada para quebrar o clima depois de uma discussão idiota, que não prometo felicidade todos os dias, mas me esforçarei para te fazer o mais feliz possível, sempre, até quando formos velhinhos e ranzinzas e não escutarmos nossas próprias reclamações. Eu estarei por aí. E se você estiver por aqui, isso é muito mais do que espero e procuro em qualquer manual que dê dicas para sermos felizes para sempre. A nossa felicidade a gente constrói.

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