Mais amor, menos rancor.

Não é de hoje que vemos por aí muita gente dizendo que as pessoas parecem estar mais agressivas e intolerantes. E se realmente estiverem? E se realmente esse negócio de ter uma “cobertura” que nos protege, principalmente na internet, nos faz sentir tão poderosos que esquecemos dos limites que aprendemos quando crianças? Não que exista um declínio que nos faça diferente do que éramos antigamente, mas essa escancaração de intolerância e desrespeito me faz sentir nada mais, nada menos, do que em uma ditadura em que cada um quer impor sua verdade.

Navegando poucos minutos pelas redes sociais já se pode sentir todo esse rancor. Pessoas ofendendo uma às outras pelos mais diversos motivos, disfarçados por nomes falsos ou sentindo-se livre apenas pelo fato de estar atrás de uma tela de computador. Esse mundo assim, desse jeito tão vazio, me dá um pouco de asco. Não que eu seja a pessoa mais perfeita do mundo, até porque acredito que ninguém é tão perfeito assim para julgar outro alguém. Mas as pessoas estão perdendo seus limites, estão esquecendo que, em qualquer sociedade, desde quando nem sabíamos falar ou escrever, o que importa é o respeito um com o outro.

Precisamos de menos rancor dentro de nós. Precisamos parar de canalizar nossas frustrações em cima de quem mal conhecemos. Precisamos de mais amor, de verdade, e encarar a sociedade (seja andando pela rua ou no facebook) como um encontro em que cada um tem uma história, cada um tem seus defeitos e também qualidades, e ninguém, ninguém mesmo, é melhor do que ninguém, e por mais clichê e batido que isso possa parecer, esquecemos quase que diariamente desse princípio.

É preciso ter limites nas palavras. É preciso ter consciência de que ninguém é e nem quer ser canonizado como um novo santo, e cada um tem opiniões diferentes, histórias diferentes, e é isso que faz nos faz diferentes de todos os outros animais (inconscientes?) por aí. Esse negócio de ter poder de escolha, de ter visões diferentes para a mesma coisa que sempre nos fez interessantes. Parem de querer estragar isso.
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Quem dera.

Quem dera vivêssemos no mundo que nos ensinam quando crianças, onde o amor e o respeito são mais importantes do que suas próprias opiniões egoístas.

Esse não é um texto voltado para só um fato singular. Esse é um texto que tento expressar, um pouco que seja, meu inconformismo por ver a que ponto chegamos. Onde as pessoas que nem se conhecem se xingam pela internet, onde você pode ser julgado por postar uma foto fora do padrão, onde você corre o risco de ser açoitado por não gostar da mesma coisa que outras pessoas gostam. Onde mulheres que saem na rua com roupa curta ainda são vistas como algo que precisa “pagar por aquilo” e estão sujeitas à todo tipo de violência. Onde dois homens de mãos dadas podem apanhar pelo simples fato de andarem juntos na rua.

Pensávamos que, com o tempo, o ser humano também evoluiria psicologicamente e intelectualmente, mas, aparentemente estamos regredindo. Ninguém respeita mais ninguém por se sentir protegido atrás da tela do computador, ou de um perfil “fake”. Ninguém tem mais solidariedade pelo sofrimento alheio se não atinge sua própria vida. Todo mundo acha que pode falar o que der na telha porque sabe que nada vai acontecer. E todo mundo acha que precisa sempre fazer justiça com as próprias mãos para tudo, já que todos nós somos extremamente perfeitos.

Estamos formando pessoas egoístas, mentes fechadas e intolerantes para qualquer opinião alheia à sua. Estamos desrespeitando tudo aquilo que nos ensinaram quando crianças, aquela história de “amar o próximo como a si mesmo”, como até mesmo os mais conservadores possíveis nos disseram um dia.

Na prática tudo o que aprendemos é lindo e perfeito. Mas nunca vi, sequer, um menor esforço de tanta gente em colocar em prática. Ao contrário, prevejo um dia, nesse mesmo caminho, chegarmos ao limite na intolerância, da impunidade. Aí, chegaremos, então, na terra de ninguém. Onde ninguém respeita ninguém, ninguém ama ninguém. E o pior: não falta muito para isso.

Por trás da armadura existe muita coisa.

Me desculpe usar eventualmente essa armadura que insisto em vestir para me proteger de certas peças que a vida gosta de pregar. Sabe como é, essa história de que a gente dá sempre a volta por cima e deixa o que passou para trás toda vez é bobagem. Por trás desse papo de manter obrigatoriamente a auto estima elevada o tempo todo, existem muitos arranhões, muitas cicatrizes e ainda, muito medo em ganhar novas decepções.

Pode parecer um pouco melodrama falar a este respeito, mas sejamos sinceros: quem nunca se enganou? (In)felizmente, traçamos alguns caminhos equivocados, caímos em algumas armadilhas pregadas por nossas escolhas, e temos que aprender a conviver com essas consequências. E a minha consequência foi aderir constantemente à essa armadura enlatada onde me sinto em segurança, que nem uma latinha de sardinha.

E não pense que esse recurso é de exclusividade minha. A gente sai por aí e vê pela rua tanta gente que também se protege de tanta coisa que fica impossível saber exatamente do quê. Tem quem não queira se envolver, tem quem não consiga mais expressar o que sente, e tem também aqueles que preferem fingir o que não são atrás de alguma máscara que te mostre confiante e satisfeito todo o tempo.

Mas a vida é assim… um dia a gente ganha, outro dia a gente perde. E como em um jogo maluco que nem mesmo escolhemos jogar, precisamos aprender a contornar os perigos que muitas vezes nós mesmos nos pregamos. Viver sempre sob uma capa de medo e insegurança não é nada saudável, tanto para você como para as outras pessoas que possam aparecer na sua vida, e, quem sabe, se interessar pelo seu jeito sem tirar nem por, exatamente da maneira que a vida te moldou. Somos sim obras de nossas vidas, dos nossos dias, dos nossos momentos felizes, e também dos decepcionantes.

Então, meu amigo, te digo o que me falo todo santo dia pela manhã. Não se esqueça de deixar sua armadura no armário antes de sair de casa. Você não precisa se livrar totalmente dela, porque, no fundo, ela é muitas vezes necessária. Mas você não precisa estar com ela o tempo todo também. Seja livre para sentir, amar, sofrer, sorrir, conhecer gente, descobrir pessoas novas dentro de quem você já conhece há tempos. Não se sinta obrigado a vestir nenhuma máscara que te faça aparentar feliz o tempo todo, porque ninguém consegue ser feliz o tempo todo. Ninguém merece viver sempre preso junto às outras sardinhas enlatadas. Viva sem medo de cair, porque são os tombos que nos dão coragem para levantar.

A difícil missão de não esperar nada de ninguém.

Antes de mais nada, já me adianto e peço desculpas a quem achou o título deste texto forte demais. Mas não vou te enganar: as decepções não pedem licença antes de aparecerem nas nossas vidas. Esse processo não será fácil e você deve estar preparado para isso. Não digo que todas as pessoas são egoístas, apesar de, o egoísmo ser uma característica natural do ser humano e, às vezes até necessário para que a gente deixe o nosso papel de trouxa de lado quando ele insiste em nos pertencer.

Já ouviram falar daquele ditado “Fazer o bem, não importa a quem?”. Dentre os milhares de popularismos que a gente se depara com os anos, esse é o meu favorito (e o que faço maior questão de, pelo menos, tentar sempre colocar em prática). Mas, com os tapas na cara que levamos durante a vida, aprendemos que as coisas não são assim para todos. Às vezes nos esforçamos para que outra pessoa fique feliz, fique bem, esteja sempre sorrindo, para salvá-la de uma fria, mas a recíproca não é verdadeira, e isso é algo realmente muito doloroso.

Desapega. Desapega de querer sempre receber algo em troca das suas atitudes, porque muitas vezes as migalhas em forma de atitude não serão suficientes. Desapega de esperar sempre que a outra pessoa faça por você o mesmo que você faria por ela. Desapega de atrelar os seus sentimentos às respostas que você queira receber, mas que nunca chegarão. Desapega de esperar sempre por um “pagamento” mesmo que em forma de atitudes. Desapega de vincular suas atitudes às atitudes de outras pessoas. Seja você mesmo, seja livre para escolher fazer o bem para alguém que você mal conhece e que provavelmente não lembrará disso amanhã. Liberte-se de vínculos criados apenas na sua cabeça.

Faça o que você tem que fazer, mas não espere que essa tal coisa chegue à você futuramente, quando a situação for inversa. Podem parecer amargas essas palavras, mas na verdade não são. São palavras livres, de emoções livres, e entendimentos de certas coisas que a gente só ganha depois de alguns tombos.

Liberte-se, mulher.

Se dê o direito de ser uma mulher livre de verdade, livre de seus próprios preconceitos e das suposições que te cercam, que te enfiaram goela abaixo desde quando você era apenas uma garotinha.

Não acredite nessa história de que, se você resolver fazer tudo o que te der na telha para conquistar outra pessoa, não vão te valorizar. Esse negócio de não receber o seu valor só acontecerá de verdade quando você deixar de se amar mais, de se colocar em primeiro lugar. Não caia no conto de que a gente não pode ser orgulhoso, porque, às vezes, o orgulho é o que nos dá suporte para não fazer mais nenhum papel de trouxa.

Se dê a liberdade de sair na rua sem um pingo de maquiagem, só porque você está afim, independente de ter sido desafiada no facebook ou não. A nossa beleza, de verdade, apesar de parecer um pouco clichê, não está nos vários produtos que passamos para tentar esconder nossos defeitos, porque isso saí com a água que lava o nosso rosto.

Os nossos defeitos, de verdade, estarão sempre conosco enquanto nós mesmos não decidirmos jogar eles fora. E as nossas qualidades são aquelas que fazem com que as pessoas queiram, realmente, estar ao nosso lado, mesmo que sem nenhuma pretensão a mais. Ninguém muda por outra pessoa, e nem nós mesmos. As mudanças podem sim ocorrer, mas somente quando tiverem nos incomodando. Não encare isso como egoísmo ou excesso de ego. Nós somos seres humanos, cheios de defeitos e qualidades, e devemos nos assumir assim, como um pacote completo. E dessa mesma forma, a gente aceita outra pessoa em nossas vidas, com seu pacote completo de atributos e coisas que nos incomodam, mas que são mínimas quando comparadas com o todo.

Fique à vontade para aproveitar sua vida, os seus dias, e fazer deles o que você quiser. Não se preocupe com o que podem ou não achar se você sair na rua de chinelo, ou com um coque mal feito no alto da cabeça. Sentir-se livre é essencial para começar a cogitar em encontrar uma pessoa que esteja ao seu lado. Ninguém gosta de viver sempre embaixo de desconfiança ou de limitações. Quando embarcamos em um relacionamento, os limites são criados pelo respeito que temos um com o outro e pela vontade de estar junto de verdade, não com troca e senhas de redes sociais ou chiliques rotineiros.

Meninas, mulher, ou como quer que você se sinta: tenha coragem de viver de verdade, de se mostrar, de fazer o que você acha que é certo sem medo de julgamentos supérfluos. Seja mãe ou não, empresária, ou skatista, dona de casa, viciada em trabalho, alta, magra, baixa, gorda, hétero, homo, bi, romântica, desencanada ou de qualquer outra maneira que você ainda não tenha encontrado um rótulo no mercado para chamar de seu. Seja você, e seja livre para ser você de verdade em meio às tantas outras coisas comuns e iguais que vemos todos os dias. Seja livre para ser o que quiser, sempre.

O que os quase 25 me ensinou (e ainda está ensinando)

Não entendia porque esse tal dos 25 anos sempre foi tratado como um tipo de marco ou tabú pela maioria das mulheres. Agora eu entendo.

Não sei vocês, mas eu ainda sofro com um conflito interno em relação à minha idade, refiro a mim como “menina”, mas tenho consciência de que já sou mulher (pelo menos, é o jeito como me enxergam). Sempre tive um certo receio de entrar de cabeça na vida adulta, da rotina do trabalho, de pagar contas, de chegar em casa cansada. Mas entrei. Sem nem me perguntarem direito o que eu queria da vida, me puxaram pra essa tal maturidade que nem quiseram saber se eu estava preparada ou não.

E entrei tão depressa nessa nova realidade, que não sei ao certo qual foi o ponto de partida. Faculdade? Trabalho? Contas chegando? Não sei dizer o que exatamente marcou essa transição, mas assim, de um dia pro outro, percebi que não tenho mais o mesmo pique de antes, que os momentos que posso ficar em casa dormindo ou vendo televisão são sagrados, que minhas amigas estão casando e outras até engravidando, enquanto mal consigo juntar dinheiro para pagar meu cartão de crédito e cuidar do meu Pou no celular.

Aliás, falando em relacionamentos, essa fase nos traz uma mistura de impaciência com tolerância que fica difícil entender. Quando estamos em um relacionamento, acabamos relevando tantas coisas que antes nos faríamos mandar mentalmente a outra pessoa para aquele lugar  sair da sua vida, mas, por outro lado, em outros momentos, deixamos escapar que nossas manias individualistas já estão aparecendo, e tomamos aquela velha atitude de gente “cri cri”, se vocês me entendem. Fora a isso, as pessoas aparentemente despertam o relógio que as fazem te encher de perguntas sobre casamento, planos futuros, filhos, e esquecem que você também tem direito à privacidade (sabe, aquela coisa garantida até pela Constituição Federal?).

Se você for solteira (contra sua vontade – ou não), por mais independente e focada somente na sua realização que você possa ser, passará por uma tarefa difícil (até demais). As suas amigas que te acompanhavam de sexta feira a noite simplesmente sumiram, e você não vê mais graça em ficar saindo para conhecer gente na balada. Os sábados são comendo pizza com nossos pais ou, no máximo, aproveitando um churrasco junto com seus amigos mais chegados (3 casais e 2 indecisos). Você começa a ficar mais na sua, refletir sobre a vida, pensar sobre a possibilidade de talvez não existir alguém legal que te faça feliz ou que te suporte, e já vê claramente a sua imagem no futuro cercada por oito gatos (felinos mesmo). Sério, pensar em se tornar a louca dos gatos é algo desesperador.

Os 25 anos nos trazem questionamentos que antes nem pensavam em se passar por nossas cabeças. Essa coisa de chegar perto do 1/4 de século nos faz pensar se tomamos ou não as escolhas certas até aqui. Se ainda dá tempo para mudar ou se já é tarde demais. Mudar de faculdade (que é o que estou particularmente passando) é uma tarefa tão complexa que te deixa atordoado. As pessoas que vão estudar com você são, pelo menos, 5 ou 6 anos mais novas, eles falam sobre bandas que você não conhece, vão a lugares que você não frequenta há anos, e estão mais preocupados em twittar alguma coisa do que arranjar dinheiro para pagar aquela bota que parcelou em 4 vezes no começo do inverno (já que seus pais não veem mais cabimento em te dar qualquer tostão).

Ah, essa idadezinha… chegou tão rápido, sem nem dizer olá, sem nem me convidar para um café. Ainda sinto saudades de quanto meus regimes funcionavam mais rápidos, de quando meu corpo não saia todo dolorido da academia, de quando as preocupações do dia se resumiam em entrar no MSN e fazer a lição de casa.

Não estávamos preparados para chegar tão rápido à tal da fase adulta. Mas aqui estamos, e aqui ficaremos por mais um bom tempo. E aqui, meus amigos, cabe aquele velho ditado: “se não pode contra ela, junte-se à ela”.

Não espere que eu seja exemplar.

Nunca fui desse tipo de pessoa que deve ser seguida, e também nunca tive a pretensão de ser. Já errei, já fiz muita coisa que não deveria ter feito, mas também, nunca escondi isso de ninguém.

Não uso nenhuma máscara que disfarce minha impaciência e mau humor pela manhã. Mas, ao mesmo tempo, sempre quis me fazer de durona, do tipo que aguenta qualquer coisa, qualquer decepção. Mas, às vezes, as coisas não são bem assim.

Não sou a garota da capa da revista, toda curvilínea e com os cabelos sempre arrumados. Aliás, essa coisa de estar sempre arrumada, de unhas feitas, é uma coisa que cansa. Eu quero ser vista e desejada mesmo com o cabelo preso em um coque mal feito, com meus óculos de grau de armação grossa, de camisa larga e tênis all star.

Eu gosto de sentar numa mesa de bar e ficar horas conversando sobre todos os assuntos possíveis, sem ver o tempo passar, e sem querer que ele realmente passe. Gosto de ficar sozinha na sacada de casa lendo um livro qualquer enquanto ouço uma música que não sei cantar inteira.

Eu sou feita de erros e acertos, de certezas e muitas incertezas, de frio, de calor, de tpm, de risadas altas e descontroladas, de sim e de nãos e de tantas coisas que não espero que me sigam, porque no fundo, eu nunca fui exemplo para ninguém.
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