Você não deveria se preocupar. Mas, vai.

Você não deveria se preocupar se ele não vai mais voltar. Não deveria vasculhar pela casa algum sinal que ele tenha deixado, o mínimo que fosse que indicasse que ele, cedo ou tarde, voltaria. Não deveria ficar olhando no álbum de fotos antigas aqueles sorrisos que já se foram há tempos. Não deveria alimentar essa sua esperança tola de que existe algum jeito, qualquer jeito, qualquer coisa. De que aquela porta se abrirá, e ele entrará pela sala reclamando do trânsito, do trabalho, da saudade que estava de você.

Por mais que já tenha sido tão fácil entre vocês, às vezes a tempestade chega sem que ninguém perceba. Não é sua culpa. Não é culpa dele. Não existem culpados quando um relacionamento não funciona mais. Se não é você que está agora dividindo com ele o mesmo cobertor, é porque esse lugar não te pertence há mais tempo do que você acha. Continuar se martirizando sobre sei-lá-o-quê não vai te levar à nada. Acredite em mim.

Você não deveria esquecer que, assim que ele saiu de casa, assim que entrou no carro e foi embora sem retornar seu olhar pela janela, ele deixou uma parte dele com você. Que essa parte agora se juntou à todas as outras partes colecionáveis durante a vida, partes que cada um que passa pelo nosso caminho deixa para trás. Agora isso entra para a sua colcha de retalhos de José, Pedro, Fernando, Luís, e outros nomes que talvez você não se lembre mais. Essa colcha que você carrega sempre que conhece outro alguém, que te fez sentimental de mais ou de menos, confiante de mais ou de menos, e persistente (mesmo que, às vezes, contra sua vontade) de que algum dia essa costura toda irá acabar. A colcha estará – finalmente – completa.

Na verdade mesmo, a única coisa que você deveria se preocupar nesse momento é seguir o seu próprio caminho. É difícil desvincular seus planos dos planos “de vocês”. É difícil sim, mas não impossível. Afinal, ninguém nunca morreu de amor por ninguém, e não será dessa vez que essa estatística irá existir.

E a imagem dele saindo pela porta de casa, com o tempo, irá se apagando, e apagará e dará lugar à novas imagens, a novos sorrisos, a novos pedaços da sua colcha de retalhos, a novos caminhos, decisões, planos, memórias e tudo o mais que ficará com você dentro de casa, para sempre. E por isso, você não deveria se preocupar, mas eu sei que nesse tempo inteiro, você vai.

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Eu prometo ser tudo aquilo que você nunca sonhou

Eu prometo ser tudo aquilo que você nunca sonhou

Eu quero ser o seu problema, a sua nova dor de cabeça, o seu motivo para as noites mal dormidas de sono, para roubar seus pensamentos durante o trabalho, o motivo para que você fique em casa na sexta feira à noite esperando pela pizza junto comigo, sem desejar, de nenhuma outra forma, estar nem por um minuto distante daquele edredom que a gente deixa na sala para dividir enquanto assistimos a um filme na televisão.

Ficarei feliz se você aceitar o que eu te trago junto com minhas piadas batidas e meu jeito desengonçado de dançar. Não sei ser sensual, não gosto de pentear o cabelo de manhã, não discuto política durante o almoço de família aos domingos e só vou para a academia obrigada pelo espelho. Não ligo se sair de casa com um jeans antigo e uma blusinha larga, e espero que você também não se importe em estar ao meu lado quando eu estiver assim.

Não posso te prometer que serei a melhor pessoa do mundo ao seu lado, não posso prometer que não vou ficar de cara feia quando você não me responder no whatsapp ou quando ficar olhando o celular quando saímos para jantar.

Sem título

Não vou prometer ser a pessoa mais simpática do mundo todos os dias e que nunca vou querer ficar sozinha curtindo a minha fossa imaginária. Não posso te prometer que não vou brigar por nada nos dias de TPM e que não vou esperar que você adivinhe o que falo da boca para fora e o que digo com certeza.

Não vou te prometer nada disso, além do que você está vendo aqui, sem outras camadas, sem máscaras, sem armaduras à prova de qualquer possibilidade de mágoas. Essa sou eu verdadeiramente, sem tentar fingir o que não sou só para te agradar. Nunca gostei de “levar gato por lebre”, apesar de – quase – sempre ter caído nessa cilada, então, não acho justo te fazer levar para casa alguém que não existe.

O que posso te dar certeza é que, enquanto você deixar, eu estarei ao seu lado para ouvir suas reclamações sobre as provas intermináveis da faculdade e as chatices do seu chefe no trabalho. Estarei com você para jantarmos um miojo nos dias de preguiça, ou irmos àquele restaurante novo badalado da cidade. Serei verdadeira com você se não estiver sentindo a mesma coisa que antes e nunca, em hipótese alguma, empurrarei com a barriga o que construímos juntos (coisa essa que espero ser recíproca). Ficarei em silêncio ao seu lado quando você também quiser ficar, e cantaremos juntos aquela música brega quando estivermos parados no trânsito. Te prometo estar aqui, de um jeito ou de outro, para arrancar seus sorrisos, suas reclamações, para ser o motivo e a cura da sua dor de cabeça, para conhecer nossos futuros lugares favoritos, para te acompanhar naquela cerveja depois de uma sexta feira estressante, e para, então, cumprir todas as minhas promessas que te fiz (e que ainda te farei).


TEXTO INICIALMENTE POSTADO NO BLOG ENTRE TODAS AS COISAS.