Está na hora de limpar a sujeira debaixo do tapete.

Sabe aquela hora que você percebe que tem coisa demais mal resolvida na sua vida, que tem muitos planos deixados para trás, que existem muitas mágoas e algumas decepções que ficaram te incomodando – e ainda insistem em aparecer de vez em quando? Essa é a hora de limpar essa sujeira toda que você insiste em acumular debaixo do seu tapete.

A gente tem mesmo essa mania de ir juntando todas as coisas que deixamos para encarar depois guardadas em um lugar que fique o mais escondido de nós mesmos. Mas a sujeira aparece, o monte acumulado começa a ser perceptível e fica impossível esconder (de nós mesmos) aquilo que não tivemos coragem de resolver, ou deixamos simplesmente como estava por não saber mais como agir. Nada contra deixar algumas coisas para trás, até porque, nem sempre as coisas são facilmente resolvidas mesmo. Mas sejamos sinceros: aquilo tudo que você ainda não conseguiu se livrar, alguma hora vai reaparecer.

Não é fácil e nunca será totalmente fácil remexer em coisas que você tentou por tantas vezes esquecer. Mas a gente precisa se livrar daquilo que não nos leva adiante, que se transformou apenas em sujeira para atrapalhar o que temos aqui dentro, que virou entulho que nos serve quase que diariamente como desculpas esfarrapadas para justificar a nossa insegurança, o nosso medo de encarar coisas novas, novos sentimentos, abrir espaço no meio de toda essa sujeira para novas pessoas enxergarem um lado nosso que há muito tempo não aparece.

Chegou a hora de parar de postergar em colocar fim às histórias que já se foram, que não se renovaram, que só te servem hoje como escudo contra qualquer coisa que te seja desconhecida. Está na hora de tirar a poeira debaixo do tapete, de se livrar dos entulhos acumulados pelos anos e encarar de vez o que ficou para trás e não foi resolvido.

Chegou a hora de te deixar ver que há muito espaço na sua vida que pode ser utilizado para o que te faz bem, para o que te faz sentido hoje, que te traga novos sorrisos, novos ares, novas verdades.

KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK

Permitir-se é essencial.

É hora de se permitir. Permitir-se sentir o gosto dúbio do viver. Permitir-se amar independente de ser amado, de doar mesmo sem receber, de sorrir mesmo que não tenha nenhum motivo concreto, mesmo que seja sozinho, mesmo que seja da alma.

É hora de se permitir. Permitir-se falar umas besteiras de vez em quando, de dar risada na hora errada, de não ter a resposta pronta para alguma pergunta. É hora de permitir que se admita que a perfeição em tudo é muito chata, que você não é o melhor, mas é o melhor em deixar o destino te levar à sua maneira.

É hora de permitir sair na rua sem passar a maquiagem matinal padrão, de não se importar se você se encaixa no grupo x ou y, de deixar para lá as rasteiras que você já tenha levado por ter se enganado demais.

É hora de permitir abraços apertados, carinhos gratuítos, beijos só pela vontade da hora, de não se importar com o mundo vazio em que você acaba se perdendo constantemente, de deixar para depois o que acham que lhe é imprescindível, mas que no fundo, você nem se importa muito.

Permita-se pisar o chão descalço de seus pudores e de seus medos, e se entregue de corpo e alma e o que mais for à vida que lhe é oferecida. Estar vivo é bom, mas permitir-se viver completamente é essencial.

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Invisibilidade consentida.

Fico aqui, do meu canto, apenas observando essa muvuca por aí ao seu redor. Você não me vê, mas eu te vejo todos os dias, todos os minutos. Na verdade, eu procuro por você em cada momento do meu dia, em cada risada boba de uma piada sem graça, em cada olhar despreocupado para uma direção qualquer, em cada resposta avoada para minhas perguntas propositais para testar se você está prestando atenção em mim. Eu te vejo em mim, te vejo ao meu lado, te vejo em tudo.

Mas você não me vê, não me enxerga. Para você eu sou invisível. E do que me satisfaz estar visivelmente perfeita e adequadas aos olhos dos outros, se a única pessoa para quem meus olhos estão voltados não consegue me enxergar, mesmo que a um palmo de distância.

Acabei adotando essa carapuça que você me fez vestir. Me acostumei à andar por aí, observar o mundo lá fora, conviver com essa parte vazia que você deixou aqui dentro, e aguardar pacientemente pelos dias que se passam, e voam, e como voam, mas apenas nessa realidade aos meus olhos. Aqui dentro passa tudo ao mínimo tempo, em uma lentidão que chega a ser brusca, pesada e densa. E graças à falta que sinto de sua presença, dos seus olhares desconfiados encontrando os meus no meio da multidão apressada e sem certeza do lugar onde quer chegar. Ao contrário de mim, que já sou tão convicta de meu desejo, que parece estar tatuado sob a pele, eternizado na minha essência.

Mas não pense você que não me aproveitei várias vezes dessa minha invisibilidade. Foram incontáveis as vezes que senti a necessidade de fugir e encontrar um universo particular onde eu pudesse conviver apenas com meus mais íntimos desejos e segredos mais bem guardados. E para essa fuga não precisei de muito: apenas de aprender a incorporar o personagem que me foi dado, de ser invisível também aos olhos dos outros. Até porque, não vejo nenhum sentido estar em foco por qualquer outra pessoa se você continua desconhecendo dessa minha ânsia em que me veja.

E assim continuamos. Você aí, procurando algo que você nem sabe o que, mas que sabe estar pendente para que haja uma completude não justificada na sua vida. E eu daqui, esperando que você comece a enxergar o que realmente reluz e importa para que, enfim, eu pudesse sair dessa sombra em que você (mesmo inconscientemente), me colocou.

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Quando foi que paramos de pensar em nós?

O tempo passa rápido. E nem precisa ter uma idade avançada para sentir isso na pele. É engraçado ver como a gente conta histórias que parecem ter acontecido ontem nas rodas de amigos, na mesa do bar. Mas daí, quando paramos e vemos tantas coisas já aconteceram nesse meio tempo, percebemos que o tempo foi sútil demais e não nos programou adequadamente para acompanhá-lo.

E junto com o tempo, aliás… com o decorrer do tempo, vem uma serie de escolhas que precisamos fazer ao longo da vida. Qual faculdade vamos fazer, onde queremos trabalhar, com quem queremos namorar, que carro vamos comprar, onde vamos morar, se queremos ou não casar, se queremos ter filhos, se queremos um cachorro, se queremos continuar trabalhando, e outras milhões e milhões de questionamentos diários. E sabe de uma coisa? As dúvidas nunca acabam. As escolhas são infinitas, bem como as possibilidades.

Então, basicamente é assim: o tempo corre ao nosso lado e dificilmente conseguimos acompanhá-lo. E dentre essa nossa habilidade (ou falta de habilidade) de viver em um mar de escolhas, passamos dias, meses e anos escolhendo para qual lado seguir. E quando finalmente conseguimos chegar à uma conclusão, por muitas vezes nos arrependemos. O motivo é simples. Porque a gente muda. Diariamente, constantemente. E isso não é mudança de caráter ou instabilidade.

Nós, seres humanos, somos feitos de um milhão de vontades. E o que queremos hoje pode não ser necessariamente o que queremos amanhã. Hoje eu quero ser advogada, amanhã quero ser pintora, e depois quero ser jornalista e ainda viajante sem destino. E porque não? Porque essa sociedade limitadora que vivemos determina que façamos nossas escolhas e continuemos seguindo estas decisões até o fim. Porque temos que escolher o que vamos fazer para o resto da vida com 17..18 anos, e se mudarmos de ideia, as pessoas simplesmente acham que não é uma boa ideia? Porque a gente ai morar em outro Estado ou País, e amanhã quando a gente percebe que não está dando certo, quando voltamos, ainda nos criticam como irresponsáveis ou avoados?

Sou a favor da flexibilização dos desejos e pelo aproveitamento até a última gota dos minutos pelos quais passamos. O tempo voa, senão literalmente, com certeza em uma metáfora muito convincente. Qual a hora para fazer o que você ama? Qual a hora para correr atrás de um sonho? Qual a hora para jogar tudo pro alto quando você perceber que aquele definitivamente não é o seu lugar? A resposta é simples, nada complexa, porque a hora é agora, e como já dizia Geraldo Vandré, “vem, vamos embora que esperar não é saber. Quem sabe faz a hora, não espera acontecer”.

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Seja mulher ou homem, mas sim, pessoas.

Pensei em várias maneiras de começar esse texto sem que parecesse extremista demais. Nunca fui muito boa com esse tipo de posts de inconformismo, mas sinto que tantas coisas que vejo diariamente criaram um algo a mais dentro de mim, que me faz sentir, às vezes, como a única pessoa a pensar assim.Mas será que realmente só eu penso assim? Quero primeiro deixar claro que sou contra todas as formas extremas de pensamentos, feministas e machistas que me desculpem, mas acredito em uma dosagem de tudo nessa vida, acredito no respeito e na igualdade entre as pessoas acima de tudo, independente do sexo, cor ou religião.

Queria, na verdade, começar listando as mais diversas listas dos direitos das mulheres que já vi por aí, falar sobre a liberdade de expressão do corpo feminino, das incontáveis manifestações lutando pelo seu espaço, mas na verdade acredito que estaria traindo até mesmo os meus próprios conceitos. Não acho e nunca achei que deveria existir uma lista de direitos das mulheres, até porque nunca me deparei com uma lista de direitos dos homens (como gênero mesmo). Mas acredito nos direitos do ser humano, acredito que temos os mesmos direitos, independente de ser mulher, homem, branco, negro, mestiço, asiático, cafuso, germânico, caucasiano, ou o que for.

Já foi o tempo da sociedade que considerava as mulheres como coisa, como incapazes de tomar suas próprias decisões, e cara, mesmo assim vejo ainda hoje pessoas julgando às outras, julgando as atitudes dos outros, as fotos, as roupas, como se fossem completos seres superiores donos da razão. E, infelizmente, esse é o pensamento que está sendo transmitido às próximas gerações. É como um ciclo sem final, um pensamento que esteja apenas degenerando o que o ser humano lutou por tanto tempo, pela liberdade, pelo trabalho, por uma vida melhor condicionada.

Acredito, também, que as nossas atitudes devem sempre respeitar o direito do próximo. Acho, porém, que ainda encaramos a realidade da mulher como superficial demais. Estou cansada de ver essas revistas por aí nos tratando como seres fragilizados pelas emoções. É difícil encontrar em uma novela, por exemplo, uma mulher forte, que não é levada por sentimentos, que encare a realidade de forma mais racional. Mas sejamos francos, nem todas nós somos assim, um poço de emoções sem limites. É lógico que existe toda uma feminilidade por trás da nossa essência, mas, e se eu não quiser seguir os padrões? Serei julgada por isso? Serei xingada e nunca serei levada realmente à sério.

Acredito que essa coisa de padrão não deveria existir, afinal, depois de tantas lutas por igualdade e tudo mais, é mais do que direito de cada um escolher ser da forma que lhe fizer melhor, que lhe melhor convir. E quem somos nós para julgar? Quem somos nós para desaprovar alguém? Esquecemos que enquanto estamos nossas (des)considerações em cima dos outros, outras pessoas também estão apontando para nós. E não importa se você for a pessoa mais tímida do universo, você ainda será criticado por isso. Esse é o charme, mas também, a maior dificuldade que encontramos em nós, seres humanos, essa coisa de muita diversidade. Muitas vezes não acho que estamos preparados para conviver com isso, mesmo no século 21 ou 22.

Espero que não julguem o que escrevo aqui. Essa é apenas a vontade de uma mulher, no começo da vida, no meio dessa confusão toda, que gostaria de viver em uma realidade mais justa entre nós. E isso de justiça, antes de cobrarmos dos políticos (aliás, que nós mesmos colocamos lá no poder), temos que encontrar dentro de nós, de verdade, sem a hipocrisia de ser maria vai com as outras, mas de entender, de verdade, as nossas diferenças como algo bom e proveitoso para aprendermos cada vez mais um com os outros, e não como motivos para apontar às costas do cara ou da mulher ao lado.

Entre pontos e acertos.

Eu sou assim mesmo, desse jeito despida de conclusões precipitadas, completa por muitas histórias para contar, mesmo que não tenha vivido nem um terço dos momentos que almejo até a eternidade, formada por vontades e anseios que não cabem dentro de mim.

Sou um guia completo de pontuações.

Sou muitas vírgulas, porque acredito que é preciso pensar não apenas ao seu bel-prazer antes de se jogar a fundo nas oportunidades da vida. Sou parênteses quase todos os dias, porque existem muitos detalhes sobre mim mesma que até eu desconheço. Sou reticências quando necessário, quando a resposta final depende muito mais de outras perguntas e questionamentos do que o previsto.

Já fui muitas vezes um ponto final, também, porque acredito que quando não sima mais, não agrega, tem que fazer parte da faxina diária, tem que renovar mesmo.

Usando do velho clichê e frase de efeito, ou soma ou some, sem alternativas para essa questão. Sempre preferi elevar tudo ao máximo, mesmo que já tenha caído muitas vezes de alturas inestimáveis.

Mas para mim a vida sempre foi assim, sem freios e medidas, agarrando os momentos vividos como se fossem os últimos, fazendo com que eles realmente valham à pena afundo, e não só na superfície. Aliás, em relação às superfícies, nunca me senti parte dela, porque sempre almejei alcançar o máximo possível em todas as coisas. Se eu estou certa ou errada, eu realmente não sei dizer, mas é esse o jeito que conheço. É esse o jeito que continuo querendo para mim.

E se falam que é difícil compreender as mulheres, ou compreender os homens, na minha concepção, minha maior dificuldade é minha auto compreensão, e não por ser difícil de se ler, até porque sempre fui e provavelmente sempre serei um livro aberto ao mundo, mas devido minha inconstância, meus medos encobertos por sorrisos amarelos e forçados, meus receios que nem ouso descobri-los por completo.

E provavelmente sempre vou ser assim, com pés calejados andando pelas nuvens dos meus sonhos mais profundos, pelas brasas que a vida coloca à minha frente, e pelas águas das correntezas que me levam. Porque para mim não existe e nunca existiu um meio termo, nem muros para ficar por cima. É sim ou não, já que o talvez te estagna, sem te levar para lugar algum, e o mundo é feito de milhares de lugares para serem descobertos e devastados por nós, é só (querer) alcançá-los.

A rotina é o sinal de que está dando certo

Se este fosse só mais um texto, ficaria mais fácil. Mas já aviso de antemão: aqui terão mais do que palavras, terão sérios avisos, para que você tire de uma vez por todas essa bobagem que enfiaram na sua cabeça de que quando a rotina chega, é hora de dar tchau.

Todo mundo gosta daquele sentimento de friozinho na barriga, das tais borboletas no estômago, e são estas sensações, muitas vezes, que nos fazem sentir mais vivos. Já peço desculpas desde já, mas preciso deixar uma coisa bem clara: sensações de estase não costuma durar por muito tempo. No máximo em alguns meses, até um ano, querendo muito, você ainda se sentir deste jeito, mas logo isso passa, logo as novidades passam a ser notícia antiga, e aquilo tudo passa a ser parte do seu dia a dia. E isso realmente não é uma coisa ruim. 

Quando algo passa a ser certeiro nas nossas vidas, quer dizer, nas entrelinhas, que aquilo está dando certo. O difícil para que esta ideia seja aceita, no fundo, é que todo mundo gosta de uma sensação nova, de um novo desafio. E é por isso que muitas pessoas continuam procurando esse tipo de emoção, mesmo que já estabilizadas, mesmo que em relacionamentos consolidados.

Mas, daí que vem a chave da questão: nós somos seres inconstantes. Somos uma variável e é por isso, muitas vezes, mudamos de ideia quanto a coisas antes tidas como certas. E, na minha opinião, este é o charme do ser humano. Ser a mesma coisa durante a vida toda realmente deve ser algo chatíssimo e insuportável até para quem está por perto. Mas, por outro lado, é horrível conviver e/ou ser uma pessoa que não tem certeza do que quer da vida, imprevisível sempre, porque dá medo conviver com esse tipo de gente, ninguém gosta de apostar suas fichas em algo que não se tem certeza da reciprocidade.

O negócio, porém, é conseguir entender que, nem sempre algo que não é mais empolgante, ficou ruim. E pra gente entender isso, temos que nos olhar por dentro, olhar o que realmente queremos das nossas vidas, colocar numa balança tudo o que já passamos e pelo o que esperamos passar e decidir se vale ou não ter aquilo ainda como parte da sua vida. A resposta pode ser sim. A resposta pode ser não. Mas a motivação para a sua escolha não deve ser embasada em saudades de ter borboletas ou fogos ou qualquer outro tipo de coisa no estômago. O que temos que saber é o que vale a pena ou não ainda ser vivido, digerido, encarado todos os dias. Porque no fundo, olhando bem, a gente tem certeza do que ainda precisa ter, só é preciso admitir.

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