Saber voar

Queria saber voar. Voar o mais alto possível para nem sei onde. Tocar o céu com as pontas dos dedos e descobrir que tudo aquilo que enxergo de longe, na verdade, está muito mais perto do que imagino.

Queria saber voar para provar a todos – e a mim mesma – que a nossa força é a única forma de chegar a algum lugar. Queria chegar lá no céu e olhar as coisinhas pequeninhas aqui embaixo. Queria saber como os passarinhos se sentem quando nos enxergam perdidos por aqui, andando de um lado para o outro, encarando nossos celulares e nossos relógios com muita devoção.

Queria entender o que se passa pela minha cabeça durante todo o tempo. Será que é loucura não conseguir decifrar a si próprio? Queria saber controlar o meu coração, os meus pensamentos e só fazer o que é certo durante o tempo inteiro. Mas não posso, não consigo e não sei se algum dia isso será possível.

Gostaria de viver com um pássaro livre pelo ar, observar tudo da minha visão poderosa e ver que qualquer problema pode se tornar pequenininho quando olhamos lá de cima. Voar para longe, voltar para perto. Conhecer o mundo. Me conhecer. Me perder e me encontrar por aí.

Queria saber voar para poder ir e voltar quando quisesse. Queria encostar os dedos no céu e mostrar para vocês que tudo que a gente precisa, na verdade, está ao nosso alcance. Se não estiver, não é necessário e nunca foi.

Carta para o meu eu futuro

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Eu queria que você pudesse me ver agora. Bem, na verdade, você já esteve aqui na minha pele, já passou pelos momentos que ainda são novidade para mim, já quebrou a cabeça e hoje já sabe o segredo de qual o melhor caminho a ser seguido. Ou será que você continua tão confusa quanto eu? Será que você fica aí contando até um milhão antes de se arriscar? Porque se for assim, seria bom que você me dissesse logo qual é a escolha certa para hoje. Assim, eu teria uma chance de chegar aí sem medo de transformar em realidade todas essas – muitas – vontades que temos dentro de nós.

Queria saber, também, se você se lembra de como é estar aqui no meu lugar. Se lembra de como era se sentir totalmente perdida nos primeiros dias da faculdade ou do estágio novo, de como era sair para umas festas que você nem acha tão legal e ficar ouvindo aquele papo chato dos caras que nem se lembram do seu nome enquanto te falam alguma frase clichê qualquer e você, por sua vez, pensando se algum dia um desses caras será legal o suficiente para que você dê sua atenção de verdade.

Será que você se lembra de como é sair com seus amigos para tomar uma cervejinha descompromissada, sem hora para chegar em casa, sem filhos para criar, sem tantas contas para pagar? Queria que você lembrasse que algumas coisas costumavam te fazer sentir feliz e completas, como um livro novo ou aquela temporada da sua série favorita que foi lançada no netflix. Espero do fundo do coração que você tenha se tornado uma pessoa menos ansiosa por respostas da vida, porque isso é algo que hoje realmente me deixa um pouco louca às vezes, como você pode ver agora.

Queria que pudesse me ver e relembrar de coisas que talvez tenham passado para trás. Quem sabe alguns detalhes desapercebidos te fariam enxergar melhor para qual lado seguir aí tão adiante nessa estrada que nos separa por alguns longos e indefinidos anos. Queria que você me dissesse se os sacrifícios valeram a pena, se as noites em claro foram esquecidas e se aqueles meus – ou nossos – sonhos chegaram a ser realizados.

Queria que você fosse tão segura quanto te imagino, que tivesse seus filhos e uma pessoa legal ao seu lado, que te acompanhasse no filme “baba ovo” que lançou e te fizesse uma massagem nos ombros no final daquele dia cansativo. Quero que você seja feliz profissionalmente, fazendo aquilo que te faz bem e te traga boas recompensas, e, ao mesmo tempo, não te impeça de viver do lado de fora do escritório, de conhecer o mundo por aí, de ficar no sofá em um domingo à tarde esperando para pegar no sono depois do almoço na casa da família.

Queria tantas coisas sobre você, te vejo de tantos jeitos diferentes e com tantas possibilidades de vidas tão legais. Mas não sei se é junto contigo essa pressão, já que por aqui, eu continuo batendo cabeça, continuo indecisa quanto aos meus caminhos e continuo tentando acertar da melhor forma possível para nós, mas, em compensação, você não pode querer nada sobre mim, porque na verdade, você ainda nem mesmo existe e está um pouco longe de existir.

Espero que eu esteja seguindo pelo caminho que merecemos, pelos lugares que te darão tanta felicidade como a que eu te desejo.
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Está na hora de limpar a sujeira debaixo do tapete.

Sabe aquela hora que você percebe que tem coisa demais mal resolvida na sua vida, que tem muitos planos deixados para trás, que existem muitas mágoas e algumas decepções que ficaram te incomodando – e ainda insistem em aparecer de vez em quando? Essa é a hora de limpar essa sujeira toda que você insiste em acumular debaixo do seu tapete.

A gente tem mesmo essa mania de ir juntando todas as coisas que deixamos para encarar depois guardadas em um lugar que fique o mais escondido de nós mesmos. Mas a sujeira aparece, o monte acumulado começa a ser perceptível e fica impossível esconder (de nós mesmos) aquilo que não tivemos coragem de resolver, ou deixamos simplesmente como estava por não saber mais como agir. Nada contra deixar algumas coisas para trás, até porque, nem sempre as coisas são facilmente resolvidas mesmo. Mas sejamos sinceros: aquilo tudo que você ainda não conseguiu se livrar, alguma hora vai reaparecer.

Não é fácil e nunca será totalmente fácil remexer em coisas que você tentou por tantas vezes esquecer. Mas a gente precisa se livrar daquilo que não nos leva adiante, que se transformou apenas em sujeira para atrapalhar o que temos aqui dentro, que virou entulho que nos serve quase que diariamente como desculpas esfarrapadas para justificar a nossa insegurança, o nosso medo de encarar coisas novas, novos sentimentos, abrir espaço no meio de toda essa sujeira para novas pessoas enxergarem um lado nosso que há muito tempo não aparece.

Chegou a hora de parar de postergar em colocar fim às histórias que já se foram, que não se renovaram, que só te servem hoje como escudo contra qualquer coisa que te seja desconhecida. Está na hora de tirar a poeira debaixo do tapete, de se livrar dos entulhos acumulados pelos anos e encarar de vez o que ficou para trás e não foi resolvido.

Chegou a hora de te deixar ver que há muito espaço na sua vida que pode ser utilizado para o que te faz bem, para o que te faz sentido hoje, que te traga novos sorrisos, novos ares, novas verdades.

KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK

Felizes novas escolhas.

Chega o fim de cada ano e todo mundo começa a rever tudo o que passou até ali, planejar o próximo ano, fazer novas promessas e encarar aquilo tudo, enfim, como uma nova oportunidade de ter um ano melhor ainda.

Eu nunca entendi direito esse negócio de usar o réveillon como um ritual de passagem, como se todas as coisas mudassem instantaneamente a partir do dia 31 de dezembro, mas admiro aquele bichinho da esperança que brota em cada um nessa data. Apesar de achar, na realidade, que esse tal bichinho deveria estar presente todos os dias.

Em um ano muita coisa pode mudar e com certeza mudará. A gente passa por muita coisa, vê muita coisa, aprende muita coisa. Tomamos decisões certas, erradas, de cabeça quente ou bem pensadas. Ganhamos novos melhores amigos de infância e perdemos amigos que conhecemos a anos. A gente cai. Mas aprende a levantar. E é essa a graça das coisas, afinal. Se tudo tivesse dado certo na minha vida até aqui em todos os aspectos, acho que teria muito menos histórias para contar e, com certeza, não teria metade da cara e coragem que ganhei para encontrar uma solução para os meus problemas.

2014 foi um ano de provações, de escolhas. E 2015 não promete ser diferente.

O negócio aqui, meu amigo, é encarar que a gente nunca vai ter 365 dias perfeitos, que não adianta nada prometer ficar 1 ano sem refrigerante ou chocolate caso aconteça algo se nós mesmos não corrermos atrás dessa coisa, se não tivermos a cara suficiente para dar a tapa quando arriscamos, quando não estamos satisfeitos.

Mas não quero nem de longe parecer pessimista, mas sim realista. As coisas acontecem, às vezes como queremos e às vezes não. Mas, como em 2014, e em todos os outros anos, a gente aprende a carregar tudo isso porque a nossa força é muito maior do que se imagina. E assim sempre vai ser! E como é bom quando olhamos para trás e nos surpreendemos com nós mesmos, não é?

Feliz 2015 e felizes escolhas, sempre!

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Não seja a pedra no seu sapato.

A gente tem, não sei exatamente por que, essa mania de ser por muitas vezes a pedra no nosso próprio sapato. Mas, infelizmente, quase nunca percebemos isso ou conseguimos enxergar que estamos fazendo esse papel. Daí, então, acabamos de alguma forma atrelando os nossos medos, os nossos fracassos e nossas angústias ao que nos servir mais convenientemente como explicação – e que melhor nos convença também.

Não julgo quem age dessa forma. Até porque, nunca conheci ninguém que não usasse essa válvula de escape pelo menos uma vez, o que, inclusive, me inclui. Mas, com o tempo, aprendi que a gente precisa se dar a liberdade para colocar em prática o nosso direito de sonhar. Não quero parecer piegas por falar em sonhos, mas sim, eu acredito neles, e acredito que a gente é perfeitamente capaz de colocá-los em prática se nos esforçarmos. Se você não acredita nisso, sugiro que não continue lendo esse texto, e deixo até que você feche essa página para nunca mais voltar.

Mas se você chegou até aqui, acredito que, pelo menos uma partezinha que seja aí dentro entende o que estou falando. Então, te proponho o seguinte: abra os seus olhos para enxergar o caminho que você está e o que vem a seguir. Às vezes acabamos traçando alguns objetivos que não se encaixam em nosso caminho, e daí, com os tombos que levamos, acabamos desistindo de acreditar, de sonhar, e aceitamos viver uma vida empurrada desgostosamente com a barriga. É importante nos nossos dias que sejamos sensatos em nossas escolhas. E com essa razão, e, claro, a nossa emoção para nos dar o feeling para qual lado seguir, conseguiremos traçar o nosso caminho de acordo com nossas vontades. E isso, meu caro, é transformar sonhos em realidade, só que de uma forma real. É viver de verdade e não apenas aceitar que os dias passem sem que você dê o seu toque a eles.

Então, fica aqui novamente o meu apelo: não seja a pedra no seu sapato. Permita-se enxergar e acreditar nos seus desejos, mas, veja e trace com lucidez o caminho pelo qual você deve seguir. E se você tropeçar, se você cair, não faz mal. É caindo que a gente aprende a levantar e é tropeçando que abrimos os olhos para desviar das pedras pelo caminho.

Vá viver, meu amigo! Vá fazer seus dias valerem a pena, vá se dar o luxo de ter feito tudo o que estava ao seu alcance para quando você chegar lá pelos seus 70, 80 anos, olhar pada trás e, com um sorrido de canto de boca, saber que valeu.

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Permitir-se é essencial.

É hora de se permitir. Permitir-se sentir o gosto dúbio do viver. Permitir-se amar independente de ser amado, de doar mesmo sem receber, de sorrir mesmo que não tenha nenhum motivo concreto, mesmo que seja sozinho, mesmo que seja da alma.

É hora de se permitir. Permitir-se falar umas besteiras de vez em quando, de dar risada na hora errada, de não ter a resposta pronta para alguma pergunta. É hora de permitir que se admita que a perfeição em tudo é muito chata, que você não é o melhor, mas é o melhor em deixar o destino te levar à sua maneira.

É hora de permitir sair na rua sem passar a maquiagem matinal padrão, de não se importar se você se encaixa no grupo x ou y, de deixar para lá as rasteiras que você já tenha levado por ter se enganado demais.

É hora de permitir abraços apertados, carinhos gratuítos, beijos só pela vontade da hora, de não se importar com o mundo vazio em que você acaba se perdendo constantemente, de deixar para depois o que acham que lhe é imprescindível, mas que no fundo, você nem se importa muito.

Permita-se pisar o chão descalço de seus pudores e de seus medos, e se entregue de corpo e alma e o que mais for à vida que lhe é oferecida. Estar vivo é bom, mas permitir-se viver completamente é essencial.

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As mudanças sem sair do lugar.

O senso comum me ensinou uma coisa valiosa nessa loucura que são os nossos dias: as coisas mudam, mesmo sem terem mudado de fato.

Quem já não teve a impressão de que acordou de um dia para o outro se sentindo completamente diferente do que no dia anterior? Quem já não teve dúvidas de que estaria fazendo realmente a coisa certa ao se deparar com algo que, antes amado, agora te trazia incerteza? Quem já não se sentiu repentinamente uma pessoa totalmente estranha no ninho?

É difícil encontrar alguém que não tenha se identificado com pelo menos uma dessas perguntas. À princípio pode parecer um pouco assustador, essa nossa inconstância repentina que nos vira de cabeça para baixo. Mas na verdade, esse é o verdadeiro charme de nós, reles seres humanos, essa coisa de ser mutável às próprias vontades.

O difícil, de verdade, é conseguir conviver com suas novas vontades e continuar 100% satisfeito com o rumo que sua vida está tomando. Como variáveis, tendemos a deixar de gostar mesmo que sem nenhum motivo concreto. E se deixarmos nos levar por essas mudanças e não sabermos (ou não quisermos de verdade) adaptar nossos novos “eus” ao que já conquistamos, aquele emprego que você quis tanto depois de uns anos começa a ficar chato, aquela pessoa que antes te tirava o fôlego, agora já não te dá nenhum brilho no olhar, aquela faculdade que você ralou para entrar, parece ter sido a escolha errada. E tudo isso acaba fazendo com que a gente “empurre com a barriga” detalhes importantes das nossas vidas, que vão construir nossas lembranças e nossa realidade quando formos mais velhos.

Eu não acho que mudanças são ruins. Ao contrário. Acho que muitas vezes são necessárias. Mas mudar demais sempre vai nos trazer um descontentamento com nossa própria realidade e nos deixar imunes à nossa auto satisfação, nos trazendo uma infelicidade diária que irá nos consumir e virar em nossas barrigas e nossas cabeças sem nos deixar tranquilos de vez.

O negócio, pelo menos eu, no meu pífio conhecimento acredito, é que as coisas tem que ser bem pensadas antes de decididas. Usar a imaginação para nos ver naquela situação é fundamental. E se, no fundo, você perceber que aquilo não te pertence mais, renove, inove, vira a página e saiba que tudo o que já passou por sua vida construiu exatamente a pessoa que você é hoje.

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